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Multiplicador keynesiano de gastos

Calcula o multiplicador keynesiano k=1/(1-PMC) a partir da propensao marginal a consumir.

O multiplicador keynesiano: como o estímulo fiscal repercute no PIB

O multiplicador keynesiano diz quanto o produto agregado (PIB) cresce a cada unidade extra de gasto autônomo, seja em compras do governo, investimento ou consumo autônomo. Numa economia fechada, a fórmula básica é M = 1 / (1 − PMC). O PMC é a propensão marginal a consumir, ou seja, a fatia de um real a mais de renda que as famílias gastam em vez de guardar. Coloque PMC = 0,8 e o multiplicador dá 1 / 0,2 = 5: ao somar as rodadas sucessivas de consumo, cada R$ 1 de gasto público acaba gerando R$ 5 de PIB.

Quem apresentou a ideia foi John Maynard Keynes, na Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936), aproveitando o trabalho anterior de Richard Kahn (1931). No pós-guerra, virou a espinha dorsal teórica da política fiscal. Quando você inclui impostos (t) e a propensão marginal a importar (m), chega à versão de economia aberta M = 1 / (1 − PMC·(1−t) + m). Ela sempre dá um multiplicador menor, porque o dinheiro que escapa pela poupança, pelos tributos e pelas importações não volta a alimentar a cascata.

Aplicações

Serve para desenhar pacotes de estímulo fiscal (Plano Marshall em 1948, ARRA nos EUA em 2009, PSI do BNDES no Brasil entre 2009 e 2015, auxílios emergenciais da Covid-19) e para avaliar investimento público anticiclico. Também ajuda a medir o crowding-out, quando o endividamento público empurra os juros para cima e desloca investimento privado, encolhendo o multiplicador efetivo, em contraste com o crowding-in, quando o investimento público em infraestrutura aumenta a produtividade privada e amplia o efeito. Estimativas empíricas do FMI e da OCDE colocam o multiplicador fiscal entre 0,5 e 1,7, dependendo da fase do ciclo e da postura monetária.

Perguntas frequentes

Por que uma PMC maior gera um multiplicador maior? Cada rodada de renda nova é gasta de novo à taxa PMC. Quanto mais alta ela for, mais dinheiro continua circulando em vez de ir para a poupança, então a série geométrica 1 + PMC + PMC² + ... soma um total maior.

O multiplicador é sempre maior que 1? Não. Impostos altos, propensão a importar elevada, pleno emprego ou um aperto monetário forte podem puxar o multiplicador efetivo para baixo de 1, o que significaria R$ 1 de gasto público rendendo menos de R$ 1 de PIB adicional.

O que é o multiplicador de orçamento equilibrado? Haavelmo (1945) demonstrou que, se o governo eleva gastos e tributos no mesmo valor, o PIB ainda assim cresce exatamente esse valor, com multiplicador igual a 1. O motivo: o gasto bancado por imposto troca poupança, que não tinha efeito multiplicador, por consumo, que tem.

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Os resultados desta ferramenta têm caráter apenas informativo e educativo e não constituem aconselhamento profissional, financeiro, médico, jurídico, tributário ou contábil. Confirme decisões importantes com um profissional qualificado e fontes oficiais.