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Disco de Alberti interativo

Disco cifrante de Alberti com duas rodas giratórias — gira a roda interna e cifra/decifra letra por letra.

O disco de Alberti e o começo da cifra polialfabética

Leon Battista Alberti descreveu em 1467 um instrumento de dois discos concêntricos: o externo com o alfabeto claro, o interno com o alfabeto cifrado. Alinhando uma letra do interno com uma do externo, você tem uma substituição. A ideia revolucionária não foi o disco em si — foi girá-lo durante a mensagem, o que faz a mesma letra ser cifrada de formas diferentes conforme a posição.

A página mostra os dois discos e o resultado, com o deslocamento escolhido. Com o disco parado, o que se tem é uma cifra de César com aquele deslocamento — e é assim que a maioria das pessoas usa o instrumento. O ganho aparece ao trocar o deslocamento no meio do texto, o que a página permite fazendo cifragens sucessivas de trechos com valores diferentes.

Alberti é chamado de pai da criptografia ocidental justamente por essa ideia de alfabeto que muda ao longo da mensagem. Ela levou séculos para ser plenamente aproveitada: o Vigenère, que troca de alfabeto a cada letra segundo uma palavra-chave, é descendente direto, e as máquinas de rotores do século vinte são a mesma ideia com engrenagens girando automaticamente.

Perguntas frequentes

Com o disco parado é só César?
Exatamente, e essa é a comparação mais útil. Um deslocamento fixo dá 25 possibilidades e cai na primeira tentativa de força bruta. O que Alberti propôs foi girar o disco em pontos combinados da mensagem, geralmente sinalizados por uma letra maiúscula no texto cifrado.
Como o destinatário sabia quando girar?
Pelo próprio texto cifrado. A convenção de Alberti era inserir uma letra que indicasse o novo alinhamento — quem recebia, ao encontrá-la, girava o disco para a posição indicada e seguia. É um índice de chave embutido na mensagem, ideia que reaparece em protocolos modernos.
Por que ele é considerado tão importante?
Porque quebra a premissa que sustentava toda a criptanálise da época: a de que cada letra tem sempre a mesma substituição. Sem essa premissa, a análise de frequência simples para de funcionar, e a criptanálise precisou de ferramentas inteiramente novas — que só apareceram no século dezenove com Kasiski.

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