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Validador de ISRC

Valida o formato de códigos ISRC (International Standard Recording Code) usados em faixas musicais: CC-XXX-YY-NNNNN.

O que e um ISRC e por que toda gravacao precisa de um

O ISRC — International Standard Recording Code — e o identificador global de gravacoes sonoras e gravacoes de videoclipes. E definido pela norma internacional ISO 3901, originalmente publicada em 1986 e hoje na revisão de 2019. O ISRC funciona como impressão digital do master: um código único, persistente e global que qualquer DSP (digital service provider), entidade de gestão coletiva, emissora, base de fingerprinting ou sistema de titularidade pode usar para referenciar uma gravacao especifica sem ambiguidade.

A guarda do padrão e da IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), através de agencias nacionais. No Brasil esse papel cabe principalmente a ABRAMUS e ao ECAD para gestão coletiva, com apoio de entidades como a Pro-Música Brasil. Toda distribuidora — grande gravadora ou DIY — precisa de ISRCs para publicar faixas no Spotify, Apple Music, YouTube Music, Deezer, Tidal, Amazon Music, biblioteca TikTok e nos sistemas de rastreamento de execução de rádio.

Anatomia dos 12 caracteres: CC-XXX-YY-NNNNN

Um ISRC tem exatamente 12 caracteres, escritos em quatro grupos separados por hifens para leitura humana e armazenados sem hifens nos metadados:

  • CC (2 letras) — código de pais conforme ISO 3166-1 alfa-2, indicando onde o registrante esta sediado (não necessariamente onde a gravacao foi feita). BR para Brasil, US para Estados Unidos, GB para Reino Unido, QM até QZ reservados para códigos emitidos por distribuidoras.
  • XXX (3 alfanuméricos) — código de registrante, atribuído pela agência nacional a uma gravadora, estúdio ou distribuidora. Único dentro do pais.
  • YY (2 dígitos) — ano de referência (dois últimos dígitos) em que o ISRC foi alocado a gravacao — em geral o ano de lançamento.
  • NNNNN (5 dígitos) — código de designacao, escolhido livremente pelo registrante dentro de um bloco anual de 100.000 códigos. Numeração sequencial e comum mas não obrigatória.

Exemplo: BRSRP2400123 le-se como Brasil (BR) / registrante SRP / ano 2024 / designacao 00123. A regex de referência e ^[A-Z]{2}[A-Z0-9]{3}\d{2}\d{5}$; espaços e hifens devem ser removidos antes da validação.

ISRC comparado a ISWC, UPC, EAN e DOI

  • ISWC — identifica a obra musical (composicao). A mesma melodia gravada por dez artistas mantém um único ISWC e gera dez ISRCs. Royalties autorais correm sobre o ISWC; royalties de interpretacao e master correm sobre o ISRC.
  • UPC / EAN — identifica o produto (álbum, single, EP). Um álbum reune vários ISRCs sob um único código de barras UPC.
  • DOI — identificador digital genérico, usado normalmente em obras academicas; algumas gravadoras criam DOI para albuns, mas o ISRC e o padrão operacional para música.
  • ISNI / IPI — identificam pessoas (interpretes, compositores); o IPI e o equivalente CISAC usado em editoras.

Como ISRCs são emitidos e usados na pratica

Existem dois caminhos comuns para um artista obter ISRCs:

  • Via direta: cadastrar-se como administrador de códigos junto a agência nacional (ABRAMUS no Brasil, RIAA nos EUA, PPL no Reino Unido). A agência atribui o código de registrante de 3 caracteres; o artista então pode emitir até 100.000 ISRCs por ano sem custo adicional.
  • Via distribuidora: serviços como Distrokid, Tunecore, CDBaby, Ditto Music, ONErpm e Amuse podem emitir ISRCs automaticamente sob o código de registrante deles — normalmente um bloco com prefixo Q (QM, QZ, etc.). E prático, mas o ISRC fica preso a distribuidora, dificultando contratos futuros com gravadoras.

Após embutido no arquivo de áudio (tag ID3v2 TSRC, chunk BWF do WAV, comentario Vorbis em FLAC) e no XML de entrega DDEX, o ISRC pilota toda a cadeia de royalty matching em Spotify, YouTube Content ID, Shazam, ACRCloud, SoundExchange (direitos conexos nos EUA), PPL (UK), GVL (Alemanha) e ECAD (Brasil). Sistemas anti-fraude perfilam ISRCs para detectar streaming farms e padrões de consumo inorganicos.

Erros comuns e casos de borda

  • Reutilizar ISRC entre versões: cada master distinto — rádio edit, ao vivo, acustico, instrumental, edição TikTok acelerada, remix — precisa de ISRC próprio. Reaproveitar o original e fonte frequente de vazamento de royalties.
  • Reedicao da mesma gravacao: o master mantém o ISRC original em todos os mercados, formatos e plataformas. Não crie novo código para relancamento do mesmo áudio.
  • Ano divergente: o bloco YY reflete o ano em que o ISRC foi alocado, não quando a música foi composta ou interpretada pela primeira vez.
  • Pais minusculo ou inválido: o validador precisa converter o bloco de pais para maiusculo e checar contra ISO 3166 (incluindo o bloco reservado QM-QZ para distribuidoras).

FAQ

Cada música precisa de um ISRC único?

Cada gravacao master precisa de um ISRC único. Uma música com três masters (estúdio, ao vivo, acustico) precisa de três ISRCs.

O ISRC e gratuito?

Não exatamente. O registro direto exige taxa de associacao a agência nacional; ISRCs emitidos pela distribuidora normalmente vem embutidos na taxa de distribuição.

Spotify ou Apple Music geram ISRC automaticamente?

Não — eles exigem que a distribuidora forneca um. A maioria das distribuidoras emite ISRC automaticamente se o artista não informar, mas o prefixo passa a pertencer a distribuidora.

O ISRC confirma que a gravacao realmente existe?

Não. A checagem de formato confirma apenas que os 12 caracteres estão bem formados; so consulta ao registro IFPI, a base da distribuidora ou a serviços de fingerprinting como ACRCloud confirma vinculo com gravacao real.

E possível trocar o ISRC depois?

Após a gravacao ser publicada com um ISRC, o código deve ficar congelado para sempre. Trocar quebra o reporte de royalties em todos os DSPs e entidades que ja ingeriram o original.

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