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Volume de Argila pelo Raio Gama (Larionov)

Estima o volume de argila de uma formação a partir do perfil de raios gama, primeiro passo de toda avaliação petrofísica de poço. O cálculo normaliza a leitura da zona entre a areia mais limpa e o folhelho mais radioativo do intervalo, obtendo o índice de raios gama IGR = (GR − GR mínimo) ÷ (GR máximo − GR mínimo), e em seguida aplica a curva não linear de Larionov, Vsh = 0,083 × (2^(3,7 × IGR) − 1). O número devolvido é a fração do volume de rocha ocupada por argila, em porcentagem: intervalos acima de 30 a 40% costumam ser descartados como reservatório, e o valor alimenta depois as correções de porosidade e de saturação de água em areias argilosas. Foi adotada a curva de Larionov para rochas terciárias, pouco consolidadas, que é a usual em bacias sedimentares jovens; para rochas mesozoicas ou mais antigas a literatura usa Vsh = 0,33 × (2^(2 × IGR) − 1), que devolve volumes bem maiores para o mesmo IGR. Informe a leitura de raios gama da zona, a leitura mínima e a leitura máxima do intervalo.

Resultado

Vsh por Larionov: o raio gama vira volume de argila

Quem recebe o perfil de um poço novo começa sempre pela curva de raios gama, e a primeira pergunta é a mesma: quanto de cada metro do intervalo é argila? Antes de falar em porosidade, saturação ou espessura de reservatório, o petrofísico precisa desse número, porque a argila carrega água ligada, distorce a leitura do perfil de densidade e empurra a saturação calculada por Archie para valores que não fecham com o teste de formação. Sem ele, intervalo que deveria ser descartado entra na conta de net pay e o volume de óleo estimado sai inflado.

O cálculo tem dois passos. Primeiro o índice de raios gama, IGR = (GR − GRmin) ÷ (GRmax − GRmin), que normaliza a leitura da zona entre a areia mais limpa e o folhelho mais radioativo do mesmo intervalo — algo entre 15 e 30 API na areia e entre 100 e 150 API no folhelho. Depois a curva de Larionov para rochas terciárias, Vsh = 0,083 × (2^(3,7 × IGR) − 1): o IGR de 0,55 dos valores de exemplo devolve 25,72% de argila, e não os 55% da leitura linear. Adotamos a versão terciária por ser a usual em bacias jovens e pouco consolidadas; para rochas mesozoicas a literatura usa Vsh = 0,33 × (2^(2 × IGR) − 1), que daria 37,74% no mesmo ponto.

A parte frágil é a normalização. GRmin e GRmax têm de sair do mesmo intervalo e da mesma corrida de perfilagem; folhelho rico em urânio ou areia com feldspato potássico e mica deslocam a escala inteira, e nesses casos convém trocar o GR total pelo GR sem urânio do perfil espectral. A ferramenta recusa leitura fora dos extremos, porque IGR negativo ou acima da unidade não tem sentido físico. Vale lembrar ainda que Vsh é volume de argila na rocha, coisa diferente do teor de argila medido em testemunho e da fração de folhelho descrita na amostra de calha.

Perguntas frequentes

Por que 25,72% se o IGR está bem no meio da escala?
A relação entre raio gama e argila não é linear. Com GR de 75 API, mínimo de 20 e máximo de 120, o índice IGR fica em 0,55 — exatamente o que a interpretação linear leria como 55% de argila. A curva de Larionov corrige um viés conhecido: em rocha terciária pouco consolidada a argila é dispersa e mais radioativa por unidade de volume, então leitura intermediária de GR corresponde a bem menos argila do que a proporção sugere. Daí os 25,72%. Se quiser o valor linear para comparar, ele é o próprio IGR multiplicado por 100.
Quando devo usar a curva mesozoica no lugar desta?
Quando a formação for consolidada e antiga, tipicamente arenito mesozoico ou paleozoico bem cimentado. A fórmula passa a ser 0,33 × (2^(2 × IGR) − 1) e é sempre mais conservadora: no IGR de 0,55 do exemplo ela devolve 37,74% em vez de 25,72%. Na dúvida, calcule os dois e trate o par como faixa. Se a decisão de completar ou abandonar o intervalo mudar de um valor para o outro, o caso pede calibração com testemunho ou cruzamento densidade-neutrão, e não escolha de curva no escuro.
A calculadora recusou meus números. O que checar?
Ela aceita apenas leitura dentro do intervalo, com máximo maior que o mínimo e mínimo não negativo. O motivo é aritmético: fora desses limites o IGR sai negativo ou acima da unidade, e a curva devolveria volume de argila negativo ou maior que 100%. Quando isso acontece, o problema quase sempre está nos extremos escolhidos, não na leitura da zona. Se apareceu areia mais limpa que o seu mínimo ou folhelho mais quente que o máximo, atualize os dois extremos com o intervalo inteiro à vista e refaça todas as zonas na mesma escala.

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Porosidade por Perfil de Densidade

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