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Fator de Saturação de Cal do Clínquer (LSF)

Calcula o fator de saturação de cal da farinha ou do clínquer, o índice que diz o quanto a cal presente se aproxima do máximo que sílica, alumina e óxido de ferro conseguiriam combinar: LSF = 100 × CaO ÷ (2,8 × SiO₂ + 1,18 × Al₂O₃ + 0,65 × Fe₂O₃), com os teores em porcentagem de massa. É o parâmetro número um do controle de forno de cimento porque governa a repartição entre alita e belita: valor perto de 100 significa que quase toda a cal se combina e o clínquer sai rico em C₃S, com boa resistência inicial, mas exige queima mais quente e margem de operação estreita. Acima de 100 sobra cal livre, que hidrata tarde e expande no concreto; abaixo de 90 o clínquer fica pobre em alita e a resistência aos 3 dias cai. Foi adotada a forma sem correção de cal livre, a usual no controle de farinha; em clínquer já queimado alguns laboratórios descontam o CaO livre do numerador, o que baixa o índice em um ou dois pontos. Informe os teores de CaO, SiO₂, Al₂O₃ e Fe₂O₃ da amostra.

Resultado

LSF do clínquer: o índice que reparte alita e belita

Na sala de controle de uma fábrica de cimento, a dosagem de calcário, argila e corretivo é mexida várias vezes por turno em cima do resultado do fluorescência de raios X. O parâmetro que dispara a maioria desses ajustes é o fator de saturação de cal da farinha. Errar para cima significa cal livre alta no clínquer, expansão no concreto e reclamação de cliente semanas depois; errar para baixo entrega clínquer pobre em alita, com resistência aos 3 dias abaixo do que o contrato promete. Entre um erro e o outro cabem poucos pontos de índice.

O índice é LSF = 100 × CaO ÷ (2,8 × SiO₂ + 1,18 × Al₂O₃ + 0,65 × Fe₂O₃), com todos os teores em porcentagem de massa e na mesma base analítica. O denominador representa a cal máxima que aquela mistura consegue combinar; o índice diz quanto da cal presente ocupa esse teto — daí 95,19 significar 95% do máximo, e não 95% de cal consumida. Só o 2,8 é estequiométrico: são os 3 mols de CaO por mol de sílica do C₃S, ou 3 × 56,08 ÷ 60,08. Os coeficientes 1,18 e 0,65 vieram do trabalho de Lea e Parker sobre o máximo de cal em equilíbrio na temperatura de clinquerização.

Por ser uma razão, o LSF não muda de base: com perda ao fogo dentro ou fora dá o mesmo número, desde que os quatro óxidos venham da mesma análise. Misturar CaO em base seca com sílica em base calcinada, aí sim, estraga a conta. Ele também não basta sozinho — dois clínqueres de mesmo LSF queimam de forma diferente conforme o módulo de sílica e o de alumina, que nos padrões da tela valem 2,62 e 1,73. A forma de Lea e Parker adotada aqui pressupõe Al₂O₃/Fe₂O₃ acima de 0,64; com ferrita em excesso, alguns manuais trocam os coeficientes por 1,1 e 0,7. MgO, álcalis e SO₃ ficam de fora, apesar de mandarem na queimabilidade.

Perguntas frequentes

A amostra padrão devolve 95,19%. Esse valor está bom?
Está dentro da faixa em que a maioria das fábricas de cimento Portland comum trabalha, algo entre 92 e 98 na farinha. Perto de 98 o clínquer sai rico em alita e com boa resistência inicial, mas exige zona de queima mais quente, mais combustível e quase nenhuma folga: qualquer oscilação de dosagem devolve cal livre acima de 1,5%. Para levar essa mesma amostra a LSF 96 bastaria subir o CaO de 65% para cerca de 65,55%, meio ponto de calcário a mais na mistura crua.
Preciso da mesma precisão analítica nos quatro campos?
Não. Na amostra padrão, o termo da sílica responde por 88% do denominador, a alumina por 9% e o óxido de ferro por 3%. Na prática, um desvio de 0,3 ponto na sílica move o LSF em 1,16 ponto, enquanto os mesmos 0,3 na alumina movem 0,49 e no óxido de ferro, 0,27. O CaO é o mais sensível de todos, e no sentido oposto: 1 ponto a mais de cal sobe o índice em 1,46. Por isso a calibração do fluorescência para cálcio e sílica é a que merece atenção diária.
Posso deixar o Fe₂O₃ em zero para calcular clínquer branco?
Pode. O campo aceita zero e a validação só recusa valor negativo, exigindo apenas CaO e SiO₂ acima de zero. Clínquer branco costuma ficar com Fe₂O₃ entre 0,2% e 0,4%, e com isso o denominador perde a parcela da ferrita, o que empurra o índice para cima com o mesmo teor de cal. Só que sem ferrita quase não se forma fase líquida, a queima fica bem mais difícil e o normal é compensar com LSF um pouco menor, mineralizador como fluorita e farinha mais fina.

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