Tabela Price ou SAC: qual escolher no seu financiamento
Como se forma uma parcela, a diferença entre parcelas fixas (Price) e decrescentes (SAC), o custo total de cada sistema e o papel do CET.
Atualizado em 30 de junho de 2026 · 8 min de leitura
Como se forma uma parcela de financiamento
Toda parcela de um financiamento, não importa o sistema, é a soma de duas peças: a amortização (o pedaço que efetivamente abate o que você deve) e os juros (o aluguel do dinheiro que ainda está com você). A conta dos juros é sempre a mesma todo mês: saldo devedor multiplicado pela taxa do período. Se você deve R$ 200.000 e a taxa é de 0,9% ao mês, o juro do primeiro mês é R$ 1.800,00 — em qualquer sistema.
O que muda entre a Tabela Price e o SAC é como esses dois pedaços se dividem ao longo do tempo. Em ambos, os juros caem mês a mês, porque o saldo devedor diminui. A diferença está na amortização: ela é crescente na Price e constante no SAC. Essa única escolha define se a sua parcela vai ser fixa, cair com o tempo, e quanto de juros você vai pagar no total.
Regra de ouro: os juros sempre incidem sobre o saldo devedor, não sobre o valor original do contrato. Quem amortiza mais rápido o principal paga menos juros no total — e é exatamente aí que SAC e Price se separam.
Tabela Price: parcelas fixas do começo ao fim
A Tabela Price (ou sistema francês de amortização) entrega uma parcela igual do primeiro ao último mês. A fórmula que calcula esse valor fixo é:
PMT = P × i × (1 + i)n ÷ [ (1 + i)n − 1 ]
Onde P é o valor financiado, i a taxa por período e n o número de parcelas. Com P = R$ 200.000, i = 0,9% ao mês e n = 120 meses, a parcela fixa fica em R$ 2.732,41.
Como a parcela é constante mas os juros caem, a amortização precisa crescer para compensar. No mês 1, dos R$ 2.732,41 você paga R$ 1.800,00 de juros e abate só R$ 932,41 do saldo. Lá no mês 120, a relação se inverte: quase tudo vira amortização e sobram só R$ 24,37 de juros. O resultado prático é que, na primeira metade do contrato, você está pagando muito juro e abatendo pouco saldo — por isso quitar uma Price antecipadamente nos primeiros anos rende pouca redução de saldo.
Sistema SAC: amortização constante e parcela decrescente
O SAC (Sistema de Amortização Constante) faz o oposto: fixa a amortização e deixa a parcela variar. A amortização é simplesmente o valor financiado dividido pelo número de meses. No nosso exemplo: R$ 200.000 ÷ 120 = R$ 1.666,67 todos os meses, do início ao fim.
Sobre essa amortização fixa somam-se os juros do saldo, que caem a cada mês. A primeira parcela é R$ 1.666,67 + R$ 1.800,00 = R$ 3.466,67. A cada mês a parcela diminui cerca de R$ 15 (os juros de uma amortização a 0,9%), e a última cai para R$ 1.681,67. É uma escada que só desce.
O ponto que confunde muita gente: a primeira parcela do SAC é bem mais alta que a da Price (R$ 3.466,67 contra R$ 2.732,41, uma diferença de R$ 734 logo de cara). Isso exige mais renda na hora de aprovar o crédito, já que o banco calcula o comprometimento sobre a maior parcela. Em troca, lá por volta da parcela 50 o valor do SAC cai abaixo do da Price e segue caindo até o fim.
Comparando o custo total dos dois sistemas
Mesma dívida, mesma taxa, mesmo prazo. Veja como cada sistema se comporta:
| Indicador | Tabela Price | SAC |
|---|---|---|
| Primeira parcela | R$ 2.732,41 | R$ 3.466,67 |
| Última parcela | R$ 2.732,41 | R$ 1.681,67 |
| Total pago em 120 meses | R$ 327.888,81 | R$ 308.900,00 |
| Total de juros | R$ 127.888,81 | R$ 108.900,00 |
O SAC economiza R$ 18.988,81 em juros — quase 15% a menos. A razão é puramente matemática: como a amortização constante derruba o saldo devedor mais rápido nos primeiros anos, sobra menos saldo para gerar juros. Não há mágica nem taxa diferente; é só o efeito de pagar o principal antes.
O contraponto é o fluxo de caixa. O SAC pede um esforço maior no começo, justo quando muita gente acabou de assumir outras despesas (mudança, reforma, ITBI, escritura). A Price cabe melhor num orçamento apertado de partida, ao custo de pagar mais juros no acumulado.
O papel do CET e da taxa de juros
A taxa de juros nominal (no exemplo, 0,9% ao mês, equivalente a 11,35% ao ano) é só uma parte da história. O número que realmente importa comparar entre propostas é o CET — Custo Efetivo Total, que o banco é obrigado por norma do Banco Central a informar antes da assinatura. O CET embute, além dos juros, tudo o que encarece o financiamento:
- tarifa de avaliação do bem e de emissão/registro do contrato;
- IOF (em crédito que não seja habitacional);
- seguros obrigatórios (MIP, por morte e invalidez, e DFI, por danos ao imóvel);
- eventuais tarifas administrativas mensais.
Por isso o CET é sempre maior que a taxa de juros anunciada — às vezes vários pontos acima. Comparar dois financiamentos só pela taxa de juros é como escolher passagem aérea olhando só a tarifa e ignorando bagagem e taxas: o preço final pode inverter o ranking. Peça sempre o CET anual das duas propostas e compare-os entre si, não a taxa de uma com o CET da outra.
Simulando antes de assinar o contrato
Números no abstrato não decidem nada; o que decide é ver a sua parcela com o seu valor e o seu prazo. Antes de fechar, rode o seu caso em um Simulador de Financiamento alternando entre Price e SAC para enxergar a primeira parcela, a última e os juros totais de cada cenário. Para um empréstimo pessoal ou de veículo, a Calculadora de Financiamento e o Simulador de Empréstimo mostram o mesmo desenho com prazos mais curtos.
Vale também testar amortizações extraordinárias. Sempre que sobra um dinheiro (13º, restituição do IR, bônus), você pode abater parte do saldo e escolher entre reduzir o prazo (paga menos juros no total) ou reduzir a parcela (alivia o orçamento mensal). Para enxergar quanto antes a dívida acaba, a Calculadora de Tempo para Quitar Empréstimo deixa o efeito visível em meses economizados.
Este guia é informativo e não substitui orientação financeira individual. Taxas, seguros e regras de cada banco variam — confirme sempre o CET e a tabela de amortização oficiais no contrato antes de assinar.
Perguntas frequentes
SAC é sempre melhor que Price?
No total de juros, sim: pagando o principal mais rápido, o SAC quase sempre custa menos ao final. Mas "melhor" depende do seu bolso hoje. Se a primeira parcela do SAC não cabe no orçamento ou não passa na análise de crédito do banco, a Price é a opção viável — e uma dívida que você consegue pagar é melhor que uma economia que você não alcança.
Posso trocar de sistema depois de contratar?
Em regra, não. O sistema de amortização é definido no contrato e segue até o fim. Por isso a escolha entre Price e SAC tem que ser feita na simulação, antes da assinatura. O que você pode fazer depois é amortizar antecipadamente para encurtar o prazo ou diminuir a parcela.
Por que a Caixa usa SAC na maioria dos financiamentos imobiliários?
Financiamentos habitacionais longos (20, 30 anos) acumulam muito juro, e o SAC reduz esse total ao derrubar o saldo devedor mais cedo — o que também diminui o risco para o banco. A Price aparece mais em prazos curtos, como veículos e crédito pessoal, onde a parcela fixa facilita o planejamento.
Existe sistema com parcela crescente?
Sim, o SACRE e variações com correção pela TR ou por índices de inflação podem fazer a parcela subir ao longo do tempo. Eles são menos comuns hoje, mas reforçam a regra: leia qual sistema e qual indexador estão no contrato, porque eles definem se a sua parcela é fixa, decrescente ou corrigida.
Ferramentas citadas neste guia
Simulador de Financiamento
Simula financiamento (Tabela Price ou SAC) com valor, prazo e taxa. Mostra parcelas, total pago e juros.
Calculadora de Financiamento
Simule financiamentos e empréstimos com tabela de amortização completa. Calcule parcelas, juros totais e o custo real do crédito.
Simulador de Empréstimo
Simula empréstimo pessoal (Tabela Price) calculando parcelas mensais, total pago e custo efetivo total.
Calculadora de Tempo para Quitar Empréstimo
Calcula quanto tempo (meses) leva para quitar um empréstimo dado o saldo, taxa mensal e pagamento mensal. Mostra juros total.
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