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Arqueação Bruta (GT — Convenção IMO 1969)

Calcula a arqueação bruta GT de uma embarcação pela fórmula da Convenção Internacional sobre Arqueação de Navios de 1969: o volume moldado de todos os espaços fechados multiplicado por um coeficiente que cresce com o logaritmo desse volume. GT é adimensional, não é massa, e define taxa portuária, exigência de tripulação e enquadramento regulatório. Informe o volume moldado.

Resultado

O número da IMO que decide o que o navio paga no porto

Quem entrega uma embarcação nova, quem despacha um navio em porto brasileiro e quem monta orçamento de praticagem trabalham todos com o mesmo número: a arqueação bruta do certificado. É por ela que a autoridade portuária cobra, e é ela que coloca o navio dentro ou fora de exigências como AIS a partir de 300 GT, certificado IOPP da MARPOL a partir de 400 GT e o pacote SOLAS e ISM a partir de 500 GT. Um projeto que passa raspando de uma dessas faixas muda de custo operacional para sempre, e a conta que separa um lado do outro é logarítmica — ninguém faz de cabeça.

A Convenção Internacional sobre Arqueação de Navios de 1969 define GT = K1 × V, com K1 = 0,2 + 0,02 × log10(V). V é o volume moldado de todos os espaços fechados, em metros cúbicos, medido pela face interna do chapeamento. O coeficiente cresce devagar: 0,220 para 10 m³, 0,260 para 1.000 m³ e 0,300 para 100.000 m³. Na prática, o GT fica em torno de um quarto do volume. Com os 12.500 m³ que a tela já traz preenchidos, K1 vale 0,2819 e o resultado é 3524,23 — adimensional, e por isso ninguém escreve toneladas depois dele.

A fórmula é a da convenção, que alcança navios de 24 metros ou mais em viagem internacional. Embarcação menor é arqueada por regra nacional simplificada, e no Brasil isso passa pelas normas da Autoridade Marítima, com expressão de bloco montada a partir de comprimento, boca e pontal — rodar a logarítmica ali produz um número sem valor para registro. O outro cuidado é o próprio V: entram só os espaços fechados, e a Regra 2 lista exclusões, como recessos abertos ao tempo por abertura permanente, que o modelo tridimensional do projeto desconhece. Arqueação bruta também não se confunde com a líquida, que tem expressão própria, com K2, K3 e número de passageiros.

Perguntas frequentes

GT 3524 quer dizer 3.524 toneladas?
Não. GT é um índice adimensional: um volume em metros cúbicos multiplicado por um coeficiente sem unidade. O resultado serve para comparar embarcações e enquadrá-las em normas, não para pesar nada. A massa do navio é o deslocamento, a capacidade de carga é o porte bruto, e os dois são medidos em toneladas e independem deste cálculo. Um porta-contêineres e um navio de passageiros com o mesmo GT podem ter deslocamentos bem diferentes, porque o que se mediu ali foi espaço fechado, não peso.
Por que meu resultado difere do certificado de arqueação?
Quase sempre é o volume. O certificado sai depois de aplicar a Regra 2 da convenção inteira, que define o que conta como espaço fechado e enumera as exclusões: recessos abertos, espaços sob o convés abertos ao tempo por abertura permanente, certos abrigos. Quem tira o volume direto do modelo tridimensional costuma incluir compartimento que a convenção manda excluir, e o V entra maior que o oficial. Some a isso o fato de o volume ser moldado, medido pela face interna do chapeamento, e não pelo contorno externo do casco.
Serve para lancha ou barco de pesca pequeno?
A fórmula roda com qualquer volume positivo, mas o valor só tem validade legal para as embarcações que a convenção de 1969 alcança, ou seja, de 24 metros de comprimento para cima em viagem internacional. Abaixo disso, a arqueação sai da regra nacional, que no Brasil usa uma expressão de bloco com comprimento, boca e pontal e costuma chegar a outro resultado. Para conferência interna de projeto, comparação entre alternativas de arranjo ou estudo, o número continua útil como ordem de grandeza.

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